Entrances

sábado, 13 de maio de 2017

Lembranças de sua partida

Lembranças de sua partida

Borbulha a noite pensamentos infindos
O que é a morte se não um conto vivido
O que é a imortalidade? Um desejo proibido
Talvez seja o medo em seu impertinente grunhido

Passam-se anos um, dois, três e quatro
E o corpo nunca esquecido, que a terra guarda
Traz consigo a lembrança do que não se retarda

O que é a vida se não um imenso e trágico teatro
Ouço o barulho a crepitar das chamas da vela
A impertinente canção que ecoa de dentro da capela

Ofusca-me a mente e distorce a percepção da realidade
Que tudo e nada seja apenas uma mera ficção ou maldade
Celeste ou Divina? Tão triste e fúnebre qual sua partida
Desta terra ao terreno sacro da terra prometida

O que há de expressar tamanha saudade
As lembranças a crepitar queimam
Lentamente no tempo, na memória dos que amam

Resta me apenas a lembrança quase disforme
De sua memória e de sua vida, nesta singularidade
Universal em que a sua mente ainda dorme.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Despertar - A inércia de Bahugera

Despertar - A inércia de Bahugera

Olha lá distante nesta neblina cinzenta
Cega-me a visão desta realidade
Ou de tudo que nesta terra deixará saudades
Talvez no ultimo gaguejar da voz sonolenta
O que esconde está chuva com o cheiro orvalhado
As lembranças de anos, que desta carrancuda vida
Repleta de falhas que aguarda a cova despida.
Que há de descansar o que restou da psique humilhado.
O barulho sereno desta chuva, ainda gélida
Essa que no âmago mais profundo ainda aquece
A alma exaurida, no último suspiro, na última prece
Enquanto agarra-se ao último fragmento da crisálida
Tão frágil que separa a vida da morte no mesmo instante
Inalcançável, nessas mãos raquíticas e domadas pelo medo
A assistir a vida diante dos olhos crepitar tal qual filme distante
Sim o fogo fátuo, a vida que se esvai como uma peça sem enredo.
Escutei ainda o vazio sepulcral que existe na alma
Aquele que lhe acalenta o corpo e petrifica
O que resta da mente, ao que purifica e crustifica
Sim, nesta noite tempestuoso, restituo a essência
Do orgulho e da mentira, do pecado original
No cântico quase infernal desta chuva, ainda gélida
A visão que ainda mais profunda enlouquece
A alma exaurida, no último suspiro, na última prece
Enquanto despedaça o último fragmento da crisálida
Que fragilmente separa a vida da morte no mesmo instante
Domável, nessas mãos raquíticas e domadas pelo medo
A encerrar a vida de forma abrupta e não obstante
Olha lá distante nesta neblina agorenta
Clarifica-me a visão do que é verdade
Ou de tudo que nesta terra deixará saudades
Talvez no ultimo gaguejar da voz odienta
Sim, nesta noite tempestuoso, restituo a essência
Da luxúria e da inveja, dos pecados do segredo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As quatro sinfonias

As quatro sinfonias
The sing of darkness bring the death and fear

Ouviu-se longínquo um fúnebre acorde.
Ecoou donde alma viva alguma pisou
Melancolia que nessa noite urrou.
Qual cão que ladra contra seu lorde

Magnífica melodia entoou para alma solteira
A compor tão puramente a nota da solidão
Voluptuoso sinfonia remanescente da escuridão
Qual a própria morte engoliu esta terra inteira.


The sing of chaos bring war and hate

Rompeu das trevas a cacofonia da guerra
Exalou aos montes o odor da cerne e a visão visceral
Que outrora habitara os corpos juvenis, antro infernal
Reside sobre esta casa, sobre a antiga Inglaterra

Agudo estridente que perturba a calma, maldita mordaça
A entoar a loucura que branda do caos
Caótica sinfonia, que sucumbiu tudo desde o Laos
A esconjurar a maldição do que ri da própria desgraça.

The sing of despair bring disease and death
Ecoou da terra frívola e frágil os grunhidos da fúria
Ouviram os anjos lá do distante céu celeste
Somos tolos, na verdade são os demônios da peste
Trajando chagas, ecoou a nota da lamúria

Ouviram todos até os moucos o timbre do desespero
Andou sobre a terra, anjo tão belo, o próprio barqueiro
Entoou em sua gondola o alaúde da própria sorte
All fears coming one symphony, she’s is empty

As vozes cessaram já não há alma alguma a prantear
Qual sinfonia há de tocar a minha ‘lma?
Não há melodia, não há timbre, apenas a inerte calma.
O som do esquecimento que está a serpentear

Acústica que assombra-me de forma silenciosa
Oriundo em um corpo ingénito
Espreita deste mundo o primogênito  
Afim de engolir a verdade escandalosa


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Ainda assim.


Ouço, ainda amargurado nessa lápide, sua voz celestial.
Partiu, ainda na penumbra da infame noite, Ávida
Santa Infernal, maldito anjo de era primordial
Pobre alma que atingiu o raquítico limite da vida

Desterro tua cova rasa, nessa noite abissal
Envolto na loucura carmesim, no apreço infantil
Na ausência da sanidade de minha ‘lma.

Desde a inocência que luta de forma brutal
Contra a serpente que engole o mundo inteiro
Alma frágil que luta de janeiro a janeiro
Cortejou novamente a morte, num mundo surreal?

Quão enferma esta moribunda vida, pode prosseguir?
Que maldição ou praga, essa besta ou peste
Excruciou, no calar da noite, no funesto agreste
Maldita besta que minha ‘lma quer obstruir.

Desterro tua cova rasa, nessa noite infernal
Envolto na loucura carmesim, no apreço infantil
Na ausência de sanidade de minha ‘lma.

No teu leito, ainda jaz as chagas obscuras
Na lápide ainda existe aquela maldita partitura
Eloquentes marcas de minha funesta mente
Ao teu lado jaz meu corpo diante as presas da serpente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Alquimista

O Alquimista

Outrora, orei aos santos anjos, longínquos no céu celeste
Pragas e preces em tamanha fúria, veladas pelas brancas
Veste de teu velório, assombrando-me essa fúria santa
Misticismo secular a percorrer em visões nesta terra agreste

Códex e tomos de ciências anormais,
Desperta minha ‘lma, tal cacofonia
Despedaça-me em vil e pura euforia
A desterrar de seus sonhos sepulcrais

Demônio infernal, maldito de olhos vazios e de fome insaciável
Violentando a vida alheia, tu que na infinda noite a vida corteja
Espreita qual víbora sedenta, no umbral desta pequena igreja

Violando o  sentido da vida com códex e tomos de ciências anormais
Despertar sua alma que jaz, nesta finita e vil terra
Cacofonia errante, a despedaçar-me em vil euforia, Cerra
Seus dentes uma vez mais, levanta-se deu teus sonhos sepulcrais

Queima novamente o fogo fátuo da vida, com memórias ermas
Com vontades nulas, levanta-se novamente minha amada
Leva contigo anjo renegado um pedaço de minha ‘lma amargurada
Enquanto trago os mortos a vida, ressurge novamente desse esperma

Vida, assanhada que a morte corteja
Na erma penumbra, maldita, espreita
Por anos suavemente ela lhe rejeita.
Demônio maldito, a velar-me na igreja.

Santo dos mortos, teu berrante e raquítico corpo desnudo
Coberto de palha, ocultam as chagas da face, do aço
Incisivo na pele, alma esquecida, das trevas, do abismo profundo
Alarde, a noite infinda pôs o que ouço é o chocalhar mórbido dos ossos

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Desfalecido

Desfalecido

Exausto, adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei entre o céu rompante a invadir
Os montes firmes nesta terra à sacudir
Entre as mais vis e tolas indagações

Minha ‘lma que ainda adormece
Entre o sepulcro desta antiga biblioteca
Um festival de horrendas sombras
Ainda espreitam, ainda assombram
No fogo fátuo desta terra doente
O uivo frio da noite a sussurrar pela charneca

Memórias passageiras de outra terra
Outra vida, não sei de quais eras
Do fogo ímpeto, não resta nada, só cinzas
As vagas analogias as falsas premissas
Não é a memória que se apaga da terra
Mas a terra que aniquila a maldita fera

As labaredas do crepúsculo poente
Invadem este cômodo silenciosos
Não há vida, não há qualquer sussurro
Não há qualquer alma ou urro
Agoniado, no vácuo ocioso
Ou numa manhã antes alarmante

Exausto, Adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei outra vez com o indizível
Um vai e vem de memórias fungíveis
Extinguindo-se no fogo ímpeto das razões

A terra que já não se expande e toda dimensão
Ou vastidão do universo invisível
São palavras falhas ao frio incisivo
Do aço frio, dos tolos repulsivos
Da verdade ou da perfeição, da ciência e razão

Lembranças tais de outrora, desta terra
Esvaísse no abissal e profunda cerne
Os sonhos de minha enferma alvorada
Sucumbe a odor forte do etanol e das chamas
Não nesta vida não há sucesso ou fama
Só resta apenas o fim de todas as eras
E o corpanzil oco à saciar a fome amarga dos vermes

sábado, 11 de abril de 2015

Esconjuro de Adão e Eva

Esconjuro De Adão e Eva

Fibra desigual, dilacerada em finos cortes
São destrinchadas em linhas tortas
Ventrículo das mãos hábeis atrás da porta
O gosto amargo na noite é pura má sorte

Agoniado pelas noites infindas e frívolas
Pobre alma hipocondríaca a pedir esmolas
O raquítico herege de faces carcomidas
Ancestral anjo, da luxúria distorcida

O som do chocalhar raquítico dos ossos
Atroz, voraz adentro do vento ímpeto
O estalar dos dentes irrequieto
Atormenta qual um horrendo colosso

Essa quietude atormenta-me qual trevas
Desiguais, um vasto conto em noites infernais
Hipocondríacos, drogados quais animais
Concebidos do esconjuro de Adão e Eva. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sonata da Morte

Sonata da Morte

Na solidão sem fim dessa cacofonia
Ouço o estrondo, a estourar minha fronte
É o diabo em seu cavalo galopante
Corre o fôlego como em uma sinfonia

Era tarde da noite e ouvi o relinchar feroz
A desbravar a densa mata qual trovão
Um raio, um vulto, o diabo na escuridão?
O anélito denso e atroz

É a santa morte, por onde anda no céu escarlate?
Ocultando-se da figura enlouquecida
Aguardando a piedade, sua valsa corrompida
Santa morte, porque traz-me as dores d’um infarte?

Maldita besta do diabo, praga do escarnio
Demônio de meus sonhos, Fictício
Atormentando-me a essas horas tais
Sorte ou morte, são infernos iguais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Poema Dântico

Poema Dântico

Terra maldita que engole-me aos poucos
Quais oníricas e vis serpentes
A engolir-se no ninho pelo dentes
O uivar deste vento deixa-me louco

Sim, o vento nesse velho moinho
Uiva a noite qual lobo faminto
Com a sede de um demônio quase extinto
A embebedar-se do sagrado vinho

Ouço, como em um sonho o cântico
Quase hipnótico dos seres universais
O bater das asas nos antigos umbrais
Ouço, as canções dos tempos dânticos

São os anjos caídos lá do céu celeste
A engolir-me no ninho pelos dentes
Quais oníricas e vis serpentes
É a praga enferma deste agreste

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Malles Maleficarum


"Llega el holocausto, surge de las sombras
coged los crucifijos, comenzad a rezar…
Se acercan los Santos, con sus largos hábitos
son los enviados divinos de Satán…

Piras funerarias, rodean los campos
la suerte ya esta echada, nos vienen a matar
Brujas y Hechiceros, contengan sus cantos
cruel muerte en forma de bondad…

 Mi dolor…
victima… de tu divina sonrisa…
 Me quemo…

…y donde esta mi Dios?

 Donde esta mi Dios?!
Pues reza por mi! Y después… por ti!
Porque bajo las tinieblas te esperaré… para quemarnos juntos…
y sentir este divino placer…
sino de entre los muertos… volveré!
Y vendré por ti… yo… vendré por ti…

Mi alma atormentada, mi cuerpo hecho cenizas
contemplo levitando la tragedia infernal
Aúllan, los lobos, con piel de cordero
Profetas de Dios, cantando a la muerte"

Ordo Funebris



domingo, 19 de outubro de 2014

O bater da chuva

O bater da chuva

Sobre o telhado frágil a crueldade da mãe natureza
A ventania faz chocalhar os ossos assombrados
Sobre a erma chama a crepitar dentro do sobrado
Adentro dessa casa erma, outrora morada de tal beleza

Essa cacofonia de ventos e ossos assustados
Enlouquece vorazmente as almas desavisadas
No amplo seio deste velho sobrado, formas passadas
Esgueirando-se entre a penumbra, devastados

Pela onipotente mão de deus, julgo protetor
Da inocência e da justiça, dos sonhos de minha ‘lma
Das preces realizadas em silêncio por minha ‘lma
Clamo, pelo fim deste uivo da terra amedrontador

Os sonhos nesta noite ainda infinda, atormentando
Mais e mais, a cada hora lenta e mal corrida
A cada condensação do ar e o reflexo das esquecidas
Sim, destas almas ainda nesta casa, clamando

Mais e mais, noite após noite, pelo fim de seus pecados
Não foram nada mais que vítimas desta terra
Agrilhoados a materialização desta maldita era
No vale dos ventos, o que resta é este velho sobrado

Ouvindo noite após noite o vento uivante
A lâmina algoz que chocalha os ossos raquíticos
Com o frio incisivo pelas últimas palavras do paralitico
Quem ainda há de ouvir a quimera berrante

Noite após noite meras lembranças do passado
O dia já não nasce e as ermas chamas a crepitar
Extinguiram-se no momento que fui suplicar
A morte é uma mero algoz do fracassado

Neste vale dos ventos que fere a cerne
A besta da luxúria e da morte esta quimera ou fera
Que nos meus sonhos ainda atende por Bahugera
Há de regurgitar-me noite após noite, aos vermes

sábado, 18 de outubro de 2014

A consciência

A consciência

Das ermas portas do tártaro minha ‘lma
Brada vorazmente contra os grilhões
Podres, contra os pecados e maldições
De outrora, dos receios de minha ‘lma

Poderia nessa erma noite em saber
Que a maturidade, algoz de minha inocência
Essa jazida precocemente na ignorância
Da santa casa, sobre o tumulo que não se vê

Vago ermo entre as portas desta terra
Entre o tão longínquo rio Estige
Que essa terra de deus toda aflige
Quem sou eu? Perto desta quimera

Dos sonhos inocentes que tive a décadas
Atrás, dos poemas escritos naquele jazigo
Da infância forrada pelas sementes de trigo
Daquela distante terra agreste mal amada

Hoje não sinto remorso por minha partida
Desta terra não há poema, verdade ou mentira
Que leve, só está marcada alma que se retira
Com as chagas e a casca demasiada ferida

Pelas más influências dos signos do zodíaco
Minha ‘lma jaz entre as tumbas do Elisio
Quimera mitológica pela maldição de sifinsio
Bahugera, esta praga de um maldito hipocondríaco

domingo, 10 de agosto de 2014

O Uivo da Quimera

O Uivo da Quimera

Meu corpo exausto adormecia nas sombras
Deste mundo, vindo de um inferno todo
Em um sonho quase horrendo, nos umbrais
Essa besta de aparência nobre como um tolo

Vem, suave ao meio da noite esquecida e do agreste
Assombrar-me a minha pobre e exausta alma
Com esse som horrendo que aterroriza a alma
Essa cacofonia que jamais se esquece

Ouvir o uivo desta antiga fera em forma de besta
Eterna, a espantar todos os sonhos meus.
Que outrora sonhei, estes sonhos que eram teus
São esses pesadelos onde nada me resta

Apenas o uivo daquela sorrateira quimera
Vá para o inferno todo, sonhos bons ou mal
Aos amplos e infindo cantos infernais
Vá minha ‘lma junto com teu deus Bahugera

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sem título no momento

Sem título no momento

Meu corpo adormecia entre as sombras
Ermas desse mundo, entre o inferno todo
Mais um sonho bom ou mal, esse umbral
Aterrorizando-me com a besta como um todo

Sussurra um uivo do esquecido agreste
Assombrando minha pobre e vil alma,
Sim esse som que inferniza essa alma
É o som que jamais se esquece

Esse uivo a minha porta, essa besta
Eterna, a espantar os meus sonhos
Com seu aspecto e semblante medonho
Esses que jamais sonhei iguais, nada resta

Nesse mundo se não o uivo da fera
Entre meus sonhos bons e mal
Nos infindos cantos infernais
Vá alma, junto com a fera Bahugera

domingo, 16 de março de 2014

Não há nome


Não há nome

Perfuma lentamente, dispersada pelo vento
Esta noite, pairam sobre minha 'lma lembranças
Vazias e inanes, mortas como a última dança
A crepitar pelo fogo errante e o vento

Inalo o odor intoxicante e alucinante da gasolina
Bailando diante de mim, a alucinação o êxtase
Aguardado a liberdade eterna, uma cartolina
espalhada pelos fragmentos do esctâse

Ouvi tão distante as vozes de minha infância
A uivar no vento frio, a crepitar no fogo ardente
A perfurar-me o peito, fazendo-me ranger os dentes
Estou a relembrar as antigas cantigas.

O vento passa pelo negro buraco em minha 'lma
A ausência inevitável o amor inacabado
É impossível de viver, não existe passado
Nem futuro ou presente, para esta vida inanimada

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Última Aurora

Última Aurora

Por capricho deste destino, nesta terra morta
Fui concebido, está agora minha terra natal
Tem me angustiado, a alma frágil e mortal!
Os dias a decorrer, pelo timbre infernal

Do mesmo relógio que bate noite após noite
Ao epitáfio da noite doirada, e amei mais
Sofri mais nesse inferno todo, angustiei-me mais
Nunca mais, nunca mais, repito noite após noite

O seio de gaia, agrilhoa-me a vida insuportável
Aos contos de Orion, dos amores imagináveis
Senti o ferrão do escorpião de formas inigualáveis.
As lâminas do destino, o conto insuportável

Eu que amei esta terra por razão que me cora
Ouço o orvalhar suave desta ultima manhã
Ao suspirar minha alma jaz no amanhã
Que deus, permita-me que seja a ultima aurora!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Bahugera Sanatório - Desejo da Quimera

Bahugera Sanatório - Desejo da Quimera


Minha 'lma encontra-se na forma mais vil
De toda a criação, esse abismo de rochedos forte
Que beiro é a criação da loucura para a morte
Enquanto agonizo neste quarto, febril

O lançar destas trevas sobre a noite infinda
Ouço ainda pelo sussurrar das vozes celestes
A atroz quimera de minha 'lma tão temida
O inferno é a terra até que o último suspiro reste

Ouço novamente sussurrar as vozes celestes
Relembrar-me dos pecados que me persegue
Não há mentira nesta terra que ateste

A erma dor que sinto nessa noite do Agreste
Ouvi agora o fogo fátuo desta terra
A qual minha quimera jurou guerra

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Psicologia Pessoal - Em busca de Afrodite

Em busca de Afrodite

Eu, tenho vivido nesta terra abençoada
Por uma força imanente e impotente
Tenho também sofrido qual doente
Moribundo, nesta terra amaldiçoada
Sou e fui o poeta de minha vida e dos sonhos
Estes tão doirados, quase fictícios
São visões deste verdadeiro paraíso?
Toda realidade é este fatídico eufemismo

Nesta terra abençoada, vim ao mundo ermo
Sim, vagando entre experiências
Vazias, entre as catacumbas de meu pensar
Venho entre mil e uma madrugadas conjecturar
As verdades imposta, entre os termos
Da imortalidade, das artes, das ciências
Sofro cada dia mais em busca da verdade
Acobertada entre mil e uma fatalidades

Passaram-se noites em claro desde meu nascimento
Sim, aquele belo e vil auroreal momento
Onde as estrelas do imenso céu celeste
Designaram o intrépido e vil destino
Esta sina, marcada por forças imanentes
Que deus ou força imanente conjectura esta verdade
Impondo-me a essas vazias nulidades espirituais

Sim, andei ermo e marchei firme por esta terra
Que desola toda alma em dor aguda
Onde a única certeza é o enterro no sol
Poente, e a cova já são tão profundas
Que torna nula a tentativa em prol
Desta vida, sim é neste sepulcro e nesta terra
Que vivo em tamanhos desencantos celestes
Sim, não resta mais nada se não a sombra do cipreste

Nesta terra de ninguém, os pensamentos são incertos
A paranoia é um mal contínuo, uma doença eterna
Os dias são longos, o medo é interminável
O descanso é um sonho quase impossível
Todo dia o brilho doirado das manhas de taverna
O cheiro de álcool espalhado em muros de concreto
Entre os sonhos quase esquecidos dessas manhãs
Queimando em labaredas infindas em minha massa

Todos os dias que passam intermináveis
Passam de forma vil, lenta, amarga e ranzinza.
São apenas pensamentos até o atual momento
Dos semblantes que atenuam qualquer sentimento
Desgastados entre as labaredas de minha mente
Que vai e vem, tudo é interminável e ausente
O dia vai em inúmeras e incontáveis variáveis
Restando-me apenas flashes e cinzas

Os flash queimam iguais a filmes antigos
Abandonados entre as caixas de um sótão
Que certa vez a inocente criança, as reproduziu
Todo o passado desfez em fogo, sumiu,
Todas as imagens do passado, o brasão
De nossas famílias é o nosso vil jazigo
Sim, nas primaveras de folhas mortas
A minha 'lma em sua porta se reconforta

Olhe as estrelas distantes do céu celeste
Que expurgam as memórias esquecidas
Que arderam em labaredas, infinda
O fogo brandiu, e tudo virou cinzas
A criança antes sorridente e inocente
Não passa agora d'um velhaco ranzinza
Toda essa singular dança imanente
Repete-se no passado, futuro e presente

São sonhos, de outrora, são desta vida
Desta terra erma, essas reflexões perdidas
A sondar meu córtex cerebral, os laços
Formados em meu cérebro, refletem
Os sonhos e sentimentos, vividos
Entre o cheiro da fumaça, esquecidos
As memórias perdidas, repetem-se
No último tragar deste meu maço

Na noite essas memórias em fervorosa ascendência
Repetem-se num rodopiar infernal
Passa ela em claro, revendo minhas feras
O monstro de minha 'lma, maldita criação
Sonhos perdidos, pela influência zodiacal
As estrelas que regem esta citação
Somos todos uma gigantesca e vil quimera
A engolir-se por inteiro nesta decadência

Essas memórias, essas vozes na noite infinda
São de onírica e abissal magnificência
O beijo de minha amada deusa Afrodite
Parecem sonhos que nunca os tive
É esse interminável filme em preto e branco
Cenas de amor, de terror que perfura meus flancos
Continuo exausto confrontando as ciências
Ao buscar as repostas quais jamais obtive

Nove pesadelos durante a noite

Nove pesadelos durante a noite - Reescrita

Essa manhã acordei com um gosto esquisito,
A boca, um gosto seco quase análogo a morte,
Todo o esplendor da vida foi jogado a minha sorte
Nessa noite, meus sonhos tornaram-se inóspitos.

Minha 'lma, essa que ausenta-se da futilidade,
De existir, esquecida entre tomos ancestrais,
Livros de cousas primordiais entre ruídos infernais
Talvez, fosse apenas a descrença da realidade.

Porém a noite tornara-se longa, minha 'lma
Turva e densa, por uma neblina cinzenta
A tempestuar meus sonhos, essa tormenta
Perfurava a noite, dilacerando minha 'lma

Eu acordava exausto, entre as horas infindas,
Dessa noite, e olhava em vão procurar paz,
Entre essas almas que atormentadas, jaz.
Pouco esperava se não a despedida desta vida.

Entre as sombras dessa noite, a mente em pane
Pelos fatos desta terra ser mera ilusão!
Talvez toda verdade da noite seja, aversão
Efervescendo minha massa nefasta e inane.

Entre as sombras dessa noite abissal,
Eu adormecia entre pesadelos infernais
Suplicando e clamando cada vez mais e mais,
Enterrado vivo, nesse mundo imortal!

domingo, 17 de novembro de 2013

O espelho do Poeta

O espelho do Poeta

Calaram-se as bocas nesta madrugada
Os olhos que antes assombram, na neblina
Agora são cegos, pelo corvo de minha sina
Este que escurece aquelas manhas doiradas

Sou, como este mesmo corvo já morto há três dias
Exalando pelos poros minha pútrida composição
Que antes deu me a vida, mas na terrível negação
Ruiu-me qual tempo ruiu antigas utopias

Entro, pela porta de meu quarto
Não há nada, só o vazio incompleto
Desta noite e as sombras a vagar no teto
Enquanto adormeço nas dores d'um infarto

Entra a luz pela janela e o que vê, nada?
Somente o odor deste leito decomposto
Mas no espelho, a luz alude com um rosto
É minha alma pela eternidade amaldiçoada