Entrances

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As quatro sinfonias

As quatro sinfonias
The sing of darkness bring the death and fear

Ouviu-se longínquo um fúnebre acorde.
Ecoou donde alma viva alguma pisou
Melancolia que nessa noite urrou.
Qual cão que ladra contra seu lorde

Magnífica melodia entoou para alma solteira
A compor tão puramente a nota da solidão
Voluptuoso sinfonia remanescente da escuridão
Qual a própria morte engoliu esta terra inteira.


The sing of chaos bring war and hate

Rompeu das trevas a cacofonia da guerra
Exalou aos montes o odor da cerne e a visão visceral
Que outrora habitara os corpos juvenis, antro infernal
Reside sobre esta casa, sobre a antiga Inglaterra

Agudo estridente que perturba a calma, maldita mordaça
A entoar a loucura que branda do caos
Caótica sinfonia, que sucumbiu tudo desde o Laos
A esconjurar a maldição do que ri da própria desgraça.

The sing of despair bring disease and death
Ecoou da terra frívola e frágil os grunhidos da fúria
Ouviram os anjos lá do distante céu celeste
Somos tolos, na verdade são os demônios da peste
Trajando chagas, ecoou a nota da lamúria

Ouviram todos até os moucos o timbre do desespero
Andou sobre a terra, anjo tão belo, o próprio barqueiro
Entoou em sua gondola o alaúde da própria sorte
All fears coming one symphony, she’s is empty

As vozes cessaram já não há alma alguma a prantear
Qual sinfonia há de tocar a minha ‘lma?
Não há melodia, não há timbre, apenas a inerte calma.
O som do esquecimento que está a serpentear

Acústica que assombra-me de forma silenciosa
Oriundo em um corpo ingénito
Espreita deste mundo o primogênito  
Afim de engolir a verdade escandalosa


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Alquimista

O Alquimista

Outrora, orei aos santos anjos, longínquos no céu celeste
Pragas e preces em tamanha fúria, veladas pelas brancas
Veste de teu velório, assombrando-me essa fúria santa
Misticismo secular a percorrer em visões nesta terra agreste

Códex e tomos de ciências anormais,
Desperta minha ‘lma, tal cacofonia
Despedaça-me em vil e pura euforia
A desterrar de seus sonhos sepulcrais

Demônio infernal, maldito de olhos vazios e de fome insaciável
Violentando a vida alheia, tu que na infinda noite a vida corteja
Espreita qual víbora sedenta, no umbral desta pequena igreja

Violando o  sentido da vida com códex e tomos de ciências anormais
Despertar sua alma que jaz, nesta finita e vil terra
Cacofonia errante, a despedaçar-me em vil euforia, Cerra
Seus dentes uma vez mais, levanta-se deu teus sonhos sepulcrais

Queima novamente o fogo fátuo da vida, com memórias ermas
Com vontades nulas, levanta-se novamente minha amada
Leva contigo anjo renegado um pedaço de minha ‘lma amargurada
Enquanto trago os mortos a vida, ressurge novamente desse esperma

Vida, assanhada que a morte corteja
Na erma penumbra, maldita, espreita
Por anos suavemente ela lhe rejeita.
Demônio maldito, a velar-me na igreja.

Santo dos mortos, teu berrante e raquítico corpo desnudo
Coberto de palha, ocultam as chagas da face, do aço
Incisivo na pele, alma esquecida, das trevas, do abismo profundo
Alarde, a noite infinda pôs o que ouço é o chocalhar mórbido dos ossos

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Desfalecido

Desfalecido

Exausto, adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei entre o céu rompante a invadir
Os montes firmes nesta terra à sacudir
Entre as mais vis e tolas indagações

Minha ‘lma que ainda adormece
Entre o sepulcro desta antiga biblioteca
Um festival de horrendas sombras
Ainda espreitam, ainda assombram
No fogo fátuo desta terra doente
O uivo frio da noite a sussurrar pela charneca

Memórias passageiras de outra terra
Outra vida, não sei de quais eras
Do fogo ímpeto, não resta nada, só cinzas
As vagas analogias as falsas premissas
Não é a memória que se apaga da terra
Mas a terra que aniquila a maldita fera

As labaredas do crepúsculo poente
Invadem este cômodo silenciosos
Não há vida, não há qualquer sussurro
Não há qualquer alma ou urro
Agoniado, no vácuo ocioso
Ou numa manhã antes alarmante

Exausto, Adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei outra vez com o indizível
Um vai e vem de memórias fungíveis
Extinguindo-se no fogo ímpeto das razões

A terra que já não se expande e toda dimensão
Ou vastidão do universo invisível
São palavras falhas ao frio incisivo
Do aço frio, dos tolos repulsivos
Da verdade ou da perfeição, da ciência e razão

Lembranças tais de outrora, desta terra
Esvaísse no abissal e profunda cerne
Os sonhos de minha enferma alvorada
Sucumbe a odor forte do etanol e das chamas
Não nesta vida não há sucesso ou fama
Só resta apenas o fim de todas as eras
E o corpanzil oco à saciar a fome amarga dos vermes

domingo, 19 de outubro de 2014

O bater da chuva

O bater da chuva

Sobre o telhado frágil a crueldade da mãe natureza
A ventania faz chocalhar os ossos assombrados
Sobre a erma chama a crepitar dentro do sobrado
Adentro dessa casa erma, outrora morada de tal beleza

Essa cacofonia de ventos e ossos assustados
Enlouquece vorazmente as almas desavisadas
No amplo seio deste velho sobrado, formas passadas
Esgueirando-se entre a penumbra, devastados

Pela onipotente mão de deus, julgo protetor
Da inocência e da justiça, dos sonhos de minha ‘lma
Das preces realizadas em silêncio por minha ‘lma
Clamo, pelo fim deste uivo da terra amedrontador

Os sonhos nesta noite ainda infinda, atormentando
Mais e mais, a cada hora lenta e mal corrida
A cada condensação do ar e o reflexo das esquecidas
Sim, destas almas ainda nesta casa, clamando

Mais e mais, noite após noite, pelo fim de seus pecados
Não foram nada mais que vítimas desta terra
Agrilhoados a materialização desta maldita era
No vale dos ventos, o que resta é este velho sobrado

Ouvindo noite após noite o vento uivante
A lâmina algoz que chocalha os ossos raquíticos
Com o frio incisivo pelas últimas palavras do paralitico
Quem ainda há de ouvir a quimera berrante

Noite após noite meras lembranças do passado
O dia já não nasce e as ermas chamas a crepitar
Extinguiram-se no momento que fui suplicar
A morte é uma mero algoz do fracassado

Neste vale dos ventos que fere a cerne
A besta da luxúria e da morte esta quimera ou fera
Que nos meus sonhos ainda atende por Bahugera
Há de regurgitar-me noite após noite, aos vermes

domingo, 10 de agosto de 2014

O Uivo da Quimera

O Uivo da Quimera

Meu corpo exausto adormecia nas sombras
Deste mundo, vindo de um inferno todo
Em um sonho quase horrendo, nos umbrais
Essa besta de aparência nobre como um tolo

Vem, suave ao meio da noite esquecida e do agreste
Assombrar-me a minha pobre e exausta alma
Com esse som horrendo que aterroriza a alma
Essa cacofonia que jamais se esquece

Ouvir o uivo desta antiga fera em forma de besta
Eterna, a espantar todos os sonhos meus.
Que outrora sonhei, estes sonhos que eram teus
São esses pesadelos onde nada me resta

Apenas o uivo daquela sorrateira quimera
Vá para o inferno todo, sonhos bons ou mal
Aos amplos e infindo cantos infernais
Vá minha ‘lma junto com teu deus Bahugera