Entrances

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sexta-feira, 3 de março de 2017

Despertar - A inércia de Bahugera

Despertar - A inércia de Bahugera

Olha lá distante nesta neblina cinzenta
Cega-me a visão desta realidade
Ou de tudo que nesta terra deixará saudades
Talvez no ultimo gaguejar da voz sonolenta
O que esconde está chuva com o cheiro orvalhado
As lembranças de anos, que desta carrancuda vida
Repleta de falhas que aguarda a cova despida.
Que há de descansar o que restou da psique humilhado.
O barulho sereno desta chuva, ainda gélida
Essa que no âmago mais profundo ainda aquece
A alma exaurida, no último suspiro, na última prece
Enquanto agarra-se ao último fragmento da crisálida
Tão frágil que separa a vida da morte no mesmo instante
Inalcançável, nessas mãos raquíticas e domadas pelo medo
A assistir a vida diante dos olhos crepitar tal qual filme distante
Sim o fogo fátuo, a vida que se esvai como uma peça sem enredo.
Escutei ainda o vazio sepulcral que existe na alma
Aquele que lhe acalenta o corpo e petrifica
O que resta da mente, ao que purifica e crustifica
Sim, nesta noite tempestuoso, restituo a essência
Do orgulho e da mentira, do pecado original
No cântico quase infernal desta chuva, ainda gélida
A visão que ainda mais profunda enlouquece
A alma exaurida, no último suspiro, na última prece
Enquanto despedaça o último fragmento da crisálida
Que fragilmente separa a vida da morte no mesmo instante
Domável, nessas mãos raquíticas e domadas pelo medo
A encerrar a vida de forma abrupta e não obstante
Olha lá distante nesta neblina agorenta
Clarifica-me a visão do que é verdade
Ou de tudo que nesta terra deixará saudades
Talvez no ultimo gaguejar da voz odienta
Sim, nesta noite tempestuoso, restituo a essência
Da luxúria e da inveja, dos pecados do segredo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As quatro sinfonias

As quatro sinfonias
The sing of darkness bring the death and fear

Ouviu-se longínquo um fúnebre acorde.
Ecoou donde alma viva alguma pisou
Melancolia que nessa noite urrou.
Qual cão que ladra contra seu lorde

Magnífica melodia entoou para alma solteira
A compor tão puramente a nota da solidão
Voluptuoso sinfonia remanescente da escuridão
Qual a própria morte engoliu esta terra inteira.


The sing of chaos bring war and hate

Rompeu das trevas a cacofonia da guerra
Exalou aos montes o odor da cerne e a visão visceral
Que outrora habitara os corpos juvenis, antro infernal
Reside sobre esta casa, sobre a antiga Inglaterra

Agudo estridente que perturba a calma, maldita mordaça
A entoar a loucura que branda do caos
Caótica sinfonia, que sucumbiu tudo desde o Laos
A esconjurar a maldição do que ri da própria desgraça.

The sing of despair bring disease and death
Ecoou da terra frívola e frágil os grunhidos da fúria
Ouviram os anjos lá do distante céu celeste
Somos tolos, na verdade são os demônios da peste
Trajando chagas, ecoou a nota da lamúria

Ouviram todos até os moucos o timbre do desespero
Andou sobre a terra, anjo tão belo, o próprio barqueiro
Entoou em sua gondola o alaúde da própria sorte
All fears coming one symphony, she’s is empty

As vozes cessaram já não há alma alguma a prantear
Qual sinfonia há de tocar a minha ‘lma?
Não há melodia, não há timbre, apenas a inerte calma.
O som do esquecimento que está a serpentear

Acústica que assombra-me de forma silenciosa
Oriundo em um corpo ingénito
Espreita deste mundo o primogênito  
Afim de engolir a verdade escandalosa


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Alquimista

O Alquimista

Outrora, orei aos santos anjos, longínquos no céu celeste
Pragas e preces em tamanha fúria, veladas pelas brancas
Veste de teu velório, assombrando-me essa fúria santa
Misticismo secular a percorrer em visões nesta terra agreste

Códex e tomos de ciências anormais,
Desperta minha ‘lma, tal cacofonia
Despedaça-me em vil e pura euforia
A desterrar de seus sonhos sepulcrais

Demônio infernal, maldito de olhos vazios e de fome insaciável
Violentando a vida alheia, tu que na infinda noite a vida corteja
Espreita qual víbora sedenta, no umbral desta pequena igreja

Violando o  sentido da vida com códex e tomos de ciências anormais
Despertar sua alma que jaz, nesta finita e vil terra
Cacofonia errante, a despedaçar-me em vil euforia, Cerra
Seus dentes uma vez mais, levanta-se deu teus sonhos sepulcrais

Queima novamente o fogo fátuo da vida, com memórias ermas
Com vontades nulas, levanta-se novamente minha amada
Leva contigo anjo renegado um pedaço de minha ‘lma amargurada
Enquanto trago os mortos a vida, ressurge novamente desse esperma

Vida, assanhada que a morte corteja
Na erma penumbra, maldita, espreita
Por anos suavemente ela lhe rejeita.
Demônio maldito, a velar-me na igreja.

Santo dos mortos, teu berrante e raquítico corpo desnudo
Coberto de palha, ocultam as chagas da face, do aço
Incisivo na pele, alma esquecida, das trevas, do abismo profundo
Alarde, a noite infinda pôs o que ouço é o chocalhar mórbido dos ossos

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Desfalecido

Desfalecido

Exausto, adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei entre o céu rompante a invadir
Os montes firmes nesta terra à sacudir
Entre as mais vis e tolas indagações

Minha ‘lma que ainda adormece
Entre o sepulcro desta antiga biblioteca
Um festival de horrendas sombras
Ainda espreitam, ainda assombram
No fogo fátuo desta terra doente
O uivo frio da noite a sussurrar pela charneca

Memórias passageiras de outra terra
Outra vida, não sei de quais eras
Do fogo ímpeto, não resta nada, só cinzas
As vagas analogias as falsas premissas
Não é a memória que se apaga da terra
Mas a terra que aniquila a maldita fera

As labaredas do crepúsculo poente
Invadem este cômodo silenciosos
Não há vida, não há qualquer sussurro
Não há qualquer alma ou urro
Agoniado, no vácuo ocioso
Ou numa manhã antes alarmante

Exausto, Adormecido entre livros e doutrinações
Sonhei outra vez com o indizível
Um vai e vem de memórias fungíveis
Extinguindo-se no fogo ímpeto das razões

A terra que já não se expande e toda dimensão
Ou vastidão do universo invisível
São palavras falhas ao frio incisivo
Do aço frio, dos tolos repulsivos
Da verdade ou da perfeição, da ciência e razão

Lembranças tais de outrora, desta terra
Esvaísse no abissal e profunda cerne
Os sonhos de minha enferma alvorada
Sucumbe a odor forte do etanol e das chamas
Não nesta vida não há sucesso ou fama
Só resta apenas o fim de todas as eras
E o corpanzil oco à saciar a fome amarga dos vermes

sábado, 11 de abril de 2015

Esconjuro de Adão e Eva

Esconjuro De Adão e Eva

Fibra desigual, dilacerada em finos cortes
São destrinchadas em linhas tortas
Ventrículo das mãos hábeis atrás da porta
O gosto amargo na noite é pura má sorte

Agoniado pelas noites infindas e frívolas
Pobre alma hipocondríaca a pedir esmolas
O raquítico herege de faces carcomidas
Ancestral anjo, da luxúria distorcida

O som do chocalhar raquítico dos ossos
Atroz, voraz adentro do vento ímpeto
O estalar dos dentes irrequieto
Atormenta qual um horrendo colosso

Essa quietude atormenta-me qual trevas
Desiguais, um vasto conto em noites infernais
Hipocondríacos, drogados quais animais
Concebidos do esconjuro de Adão e Eva. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Bahugera parte IV

Bahugera parte 4

Obscuras e vis eram as vagas memórias,
Aquelas que efervescem a massa cinzenta
Desabando a forma rude e corpulenta,
Donde só lembro-me de choro e miséria.

Expresso aquele aspecto horrendo,
Que vem das cruéis trevas infernais
Atormentar-me cedo em tramas universais,
Fazendo meu corpo vilmente se corroendo.

Vi novamente aquele deus ou fera,
Aquele em que enxergava o vil medo
Que provém de um desconhecido medo,
Aquele ser que perseguiu-me por eras.

Era cedo quando acordei com tamanho pavor,
Logo na rua eu ouvi a romaria e secos gritos
Aqueles que premeditavam o concreto e finito,
Trazendo consigo um leve e frívolo rumor.

Eu vi de tantas trevas surgir aquilo,
Donde surgiu? Do negro fogo infernal?
Um hórrido e mortífero animal,
E nada ouvia, somente um som tranquilo.

Deleitei-me ao ver os portões celestiais,
O corpo era agora frio e natural
Observei aquele horrendo animal,
Liberto em meus medos infernais!