Entrances

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Não espero mais nada




Não espero mais nada

Escrevo nessa noite de luar minguado,
Em que o sol viu cedo ser poente,
Absorto na morte que já era nascente,
Eu, com olhar fúnebre e alucinado.

Vi com os próprios olhos que negaram-se,
Acreditar na imensidão do universo,
Sendo tudo metáfora de verso e inverso,
Estava cômodo com o que formava-se.

Nos prantos a língua se enrolava,
Contando as estrelas que brilhava,
Enquanto fúnebres palavras sussurrava

Eu ser moribundo de vida finita,
Não creio em histórias que contavam,
Espero o ser que usa vestes distintas!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bahugera Parte III

Bahugera Parte III

Nos mais distantes pesadelos,
Eu vi a fera renascer novamente,
A vida ali era fria e ausente,
A própria morte vil e sem zelo.

O ser que a minha alma assombra,
Num malévolo e espectral tormento,
Embalou meu corpo em lamento,
Suspirando do lado de minha sombra.

Urgiu no mais escuro portal,
Perseguindo-me em meu sepulcro,
Açoitando-me no meu múcron,
Limitando o eu sendo mortal.

Ser de terrificante aspecto,
Crucificou-me com seu anélito,
Degolando-me qual cabrito,
O seu sorriso havia um ar tétrico!

Levantou-se do abismo do tártaro,
Ser de insana e brutal misticidade,
Nasceu da mais profana fecundidade,
Tão temível quanto os antigos bárbaros.

Perseguindo-me além da vida,
Inescrupulosa era a besta fera,
Sendo meu tormento por eras,
Sendo o sacrifico a ela prometida!

Assombrou-me com seus tentáculos,
Que deparavam-me com as agonias,
Que descrevi em tantas poesias,
Como um fúnebre espetáculo.

Urgiu dos mais distantes portais,
A quimera de face e medo espectral,
Concretizava a profecia universal,
Tudo aquilo tornava-se versos reais.

Nos mais distantes pesadelos,
Eu vi a fera surgi do imaterial,
Sendo a vida vazia e essencial,
E a própria morte vil e sem zelo!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Abstrato

Abstrato

Descrevo a forma que vejo lúcida,
As figura por qual se esconde,
Pergunto-me tão calmo, por onde?
Anda a ofuscar a certeza, nítida?

Venho expressar essa razão,
O ser de meu nobre imaginário,
Vagou do abstrato para o lendário,
Revelando-a obscura imensidão.

No abismo conhecido "oculta arte".
Donde jaz os segredos da vida,
Também o da eterna partida,
Venho-lhe conceder minha parte.

Eu que sou um ser do sereno,
Do luar que a meu ver é mortuário,
Sendo poeta de tantos funerários,
Sou mero servo com ar ameno!

Os lamentos e as loucuras,
Do que oculta-se no obscuro,
Tendo sentimento suave e puro,
Carrasco da própria tortura.

Expresso o ser inimaginável,
Que vive no templo que é noturno,
Possuindo nomes tão soturnos,
Crucificando foi qual abominável!

Eu, mestre de minha elisão,
Sou aquém do agente destino,
Que entope as artérias dum coração,
Num ato que julgam qual divino.

Sou o poeta de vil porte,
Aquele que com o luar chora,
Que também para tal ser ora,
Para tudo esvair-se num corte.

Sendo o corpo sem o jazigo,
Fui adormecer no cósmico luar,
Com tantas estrelas eu fui sonhar,
Ao encontrar-me com ser antigo.

Alarde de minha morte

Alarde de minha morte

Eu que a muito já vivi
Escrevendo simples versos,
De lamentos tão dispersos,
Tão breve eu sei que morri.

Na vida em que nasci,
Fui de sábio a tolo,
Ao chorar pelo seu colo,
Para que eu possa sorrir!

Nada sou mas que a alma,
Que tem sede da poesia,
Na penumbra da maestria,
Com mórbida e eufórica calma.

Eu que no simples crepúsculo,
Que cobre a nossa existência,
Da vida que jaz em decadência
Adentro do ser que é minúsculo.

É de pobre e cruel porte,
A maldição que eu carrego,
Como as chagas do cego
Que chora a própria morte.

No alucinar da vida humana,
Fui de sábio a próprio tolo,
Ao chorar pelo seu colo,
No ebulir da massa insana!

A vida que já não é minha,
Anunciou sua própria hora,
Único o momento sendo, agora?
Onde se encontra sozinha.

Fui poeta dos sentimentos,
Para onde vou lágrimas não rolam,
Tantas dores não se desenrolam,
No austero seio do lamento.

Sendo ser de forma inane,
Já fui grandioso e culto,
A penumbra é um insulto,
Aos meus delírios de pane!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Apenas horas

Apenas horas

Num vai e vem eterno,
O ponteiro conta as horas,
A face dela aproxima-se agora,
Com um aconchego materno.

É incontável o tempo que aguardo,
Pois noto que já se passa das três.
Tudo que eu vivi já se refez,
Vem a mim de bom grado.

Eu, sob a sua pintura
Que cobre o hall central,
A observo com olhar natural,
No entoar de sua partitura.

No alento de seu manto,
O pão vem de seus contos,
Ao poetizar sob tais prantos,
É airoso total desencanto.

Vem adentro de meu ser,
Acalmar a minha psique,
Corromper o meu "dique"!
Até o momento de padecer.

Sendo incontável e indizível,
As histórias que se produzem,
Sobre a verdade incomensurável,
Que na mente introduzem.

E no fúnebre desdém,
Meu corpo que jaz frio,
E agora é só o vazio,
Possa chamar aquém?

De todo bom grado, eu peço
Que onde eu seja eterno,
A quietude não seja qual inverno,
A você clamo com apreço.

Que no jazer de meu corpo,
Agrilhoado no estado físico,
Onde nunca foi pacífico,
Eu não seja reciproco.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Eu Poeta

O Eu Poeta

Dos mais longíquos sonos,
Vivo na sombra do ambíguo,
A morte sendo ser iníquo,
E o destino sendo monótono

O eu lirico que viveu a tragédia,
Praguejando e lamuriando,
A si mesmo amaldiçoando,
Qual divina comédia!

O eu poeta frio que jaz,
Na penumbra de meus umbrais,
A forma espessa e espectral,
A singular dor de forma natural!

Nos dias de vida fantasiosa,
Em que sou a criança morta,
Abandonada em sua porta,
Sendo a morte assombrosa.

Eu, que no alucinar cósmico
Sofri com os meus sentimentos,
Desde meu fim ao nascimento,
Eu vi o encaixar do quadro lógico.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não era sóbrio

Não era sóbrio

Nas noites frias e brilhantes,
Em que o luar me fascinava,
O bailar das estrelas me encantava,
Aquela beleza era distante.

Com a psique cambaleando,
E as pálpebras escurecendo,
Percebi logo estaria morrendo,
E não estava alucinando!

Eu, com meu corpo imóvel
Entendia o que era o amor,
E a fúnebre lira da dor.
Que cobre o corpo qual véu!

Já não havia sobriedade,
Nas palavras que eu sussurrava,
Mas pulsavam do peito que viviam,
Ocultando-se sob as minhas verdades.

Com o corpo frio e pálido,
Eu, já não podia ver nada.
Meu peito em dores profundas,
Eu, poeta bêbado que jaz inválido

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mensageira da morte

Mensageira da morte


Fazia frio e era madrugada,
Quando ser tão desgraçado,
Ousou cruzar a alvorada,
Com o mal presságio, amaldiçoado.


Pousou sob o feixe da luz,
Trazendo consigo último aviso,
Vens! Conosco alma sem sorriso.
Vens aos braços que são meu!


Era assombroso o que ouvia,
Como o que ali, eu via.
Ser com sua medonha sombra,
Os meus medos assombram.


Congelei ao imaginar trevas infernais,
A dor e o sofrimento,
Sem alívio por um momento,
Disse a mim mesmo: jamais!


Na angústia e tamanho desgosto,
Espantei ser mortuário,
Que brotava do imaginário.
Onde via o meu rosto.


Dizendo deixa-me em paz,
Eu que espero o que é eterno,
Sendo temente a céu e inferno,
Vá e não volte nunca mais!


Fazia frio e era madrugada,
Quando ser tão desgraçado,
Ousou cruzar a alvorada,
Com seu mal presságio, amaldiçoado!


Pousou sobre meus trabalhos,
Assombrando-me pôs me a retalhos.
Enquanto tão quieto, falou:
Não fugirá de quem sou!


Enquanto adormeço em dezembro,
Com clareza eu me lembro
Quando ser de erudito porte,
Comunicou a minha morte!


Pois fazia frio e era madrugada,
Quando o servo mortuário,
Ousou cruzar a alvorada
Violando meu santuário, solitário.

Ao eterno silêncio da alma

Ao Eterno Silêncio da Alma


Onde o sol se via poente,
Eu já não era falante,
Febril em estado delirante,
De corpo e mente não era ciente,


Aquilo era a forma, descalabro!
Onde já não havia atitude,
Sufocava-me a quietude,
Tudo aparente era faces, macabro?


Compreendi a agonia do surdo,
Pois ali nada ouvia
Com a tranquilidade sofria.
Qual pobre, louco e mudo!


Eu que já não podia expressar,
O que queria, em palavras.
A serem ditas foram semi palavras
Mal conseguia, tudo desabafar.


Absorto em todo mal que causava,
A dor e as lágrimas descomunais
O medo de um nunca mais,
As minhas angústias, completava.


Eu que não suporto o silêncio,
Vivo em sua equação diária
Sem números ou pessoas imaginárias,
Trancafiado nas portas d'um hospício.


Onde a lua era nascente,
Eu já não era mais falante,
Febril em estado delirante,
De um corpo já não era remanescente.


Moribunda a alma,
Que em constantes prantos,
Via-se em mil desencantos
Com a absurda calma.


No raiar do sol ia a loucura,
Ao nascer da noite em calafrios,
Em sinistra amargura.


Onde sol e lua faleciam, 
Eu nunca fui ser falante.
Frio, mórbido e delirante!
Todos ao meu redor desfaleciam.

Subconsciente

Subconsciente


Onde vi raiar o inescrupuloso,
Alojado nas memórias,
Jazendo em mil inglórias,
De terror incomensurável.


Nada era real ou fantasioso,
Uma peça vil elaborada,
Com histórias, marcadas.
Porém tudo era grandioso.


No meu cérebro, permanecia
E no mais longíquo tempo,
Aquilo nunca adormeceria,
Nem mesmo com fortes ventos.


Maldito que permanece em mim,
Por longas noites e eternos dias,
Até mesmo nas poesias,
Aos futuros anos viveria sem fim.

Lobotomia

Lobotomia


Separa-me o corpo da mente,
Deixando-me qual fantasma,
Ao sugar de mim todo plasma
Cerebral, deixando-me demente.


Penetra no lobo frontal,
Retirando tudo que foi real,
Mutilando o que foi natural,
Corrompendo a massa cerebral.


Violando o que foi sagrado,
Sou a réstia do inane.
Pobre corpo sem fome,
Qual gado marcado.


Eu que já não possuo ego,
Desgraço-me com último desejo:
Vens até mim inane beijo.
Ofusca-me o mundo qual cego.

Imaginação

Imaginação


Venho a todos descrever,
O que há ocultado na psique,
No timbre de um clique,
A infinidade a ponto de nascer.


Rápida qual velocidade da luz,
O big bang, cerebral.
Escrito sobre ser espectral,
Pulsam de mim, feito pus.


Onde tudo era possível,
Na ebulição da massa cinzenta,
Urgiam almas vis e corpulentas.
Ditei o que era indizível.


O destino era previsível,
Notei que tudo era imortal,
Somente o tempo sendo mortal,
Já não sendo ser invisível,


Observei de perto o abismo,
Que é a lei a todos humanos,
O medo dos ingênuos insanos,
Nada era um simples fanatismo.

Fúnebre alusão

Fúnebre Alusão


O tempo que a muito abandonou,
A pobre alma que há no túmulo,
Trancafiada no cadáver nulo,
Vítima da vida que desmoronou.


O badalar e o frio vento,
Únicas lembranças realistas,
Relatadas pela alma pessimista
Que reside logo ao centro.


Não era a fértil imaginação,
Pois o que via ali lamuriando,
Pela vida arrancada de suas mãos.


Era a pobre e não simples alusão,
Praguejando pela vida passada
Ao leito do túmulo, jazia irada.

Contraditório

Contraditório


Nada era real ou ilusório.
Eu, com minha mente aquecida
A morte aparente é merecida,
Ao dizer adeus no velório.


O cosmo que contemplara-me,
Com o que os olhos não sabiam,
Sensações que logo morriam,
A insanidade, que não saciara-me!


O tempo e meu ego volátil,
Aos pés do que era indizível,
Raiando, o que aos outros era invisível?
Toda vida maleável e portátil.


Vens a mim o que é impossível.
As possibilidades implausíveis,
As soluções que são cabíveis,
Vens até mim, morte sendo possível!

A corte

A corte


Eram mortos, mas estavam vivos
Seres que brotavam das abissais,
Ecoando até dos infernais
Despertando dores, primitivos.


O juiz com seu robe negro,
Com marcas do mártir,
Falso qual presente de grego,
A sentença, sem o que discutir.


O promotor que ali aguardava,
Os réus todos culpados,
Pela corte, condenados!


O carrasco no escuro esperava,
A sua negra máscara,
O próprio inferno forjará.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Obituário







Obituário


Vens! Adentro deste sepulcro
A hora é agora, a morte é crua.
Sem suavizar o que jaz no breu,
E o último tinir o portal rasgando
Ao meio, o barulho do velcro.


O fim é a eterna rua,
Tão vasto quando o branco céu.
Negror da tinta demonstrando
Que ali nada há, o morfético.
Que começou a ser cadavérico.


Vens! Adentro do corpo frio,
Conhecer o estado, paralitico
O falso terror, apocalíptico
Perceber o que é eterno qual rio,
Vens! Concretizar o obituário.


Eu que na verdade morri,
Nos delírios cerebrais,
Meu corpo jaz entre mortais
Eu, que tentei sorrir,
Com meu trágico cenário.


Vens! Adentro deste sepulcro
Conhecer o eu paralitico,
Que é de domínio público,
Assistir os deuses, humanitários,
Prescrever meu futuro obituário!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Olhar sobre o poeta




Olhar sobre o poeta


O aprendiz


Nos descalabros portais,
Onde aluminava funesto poeta,
Com suas rotinas e rituais,
Ao degustar a sangria do saber
Tolo bem ou mal, sem saber viver.


Que enfermo não sabia sobre a alma,
Que possui o maldito artista,
Embriagado, com o sofrer dos sentimentos
Um pacto assinou, jazendo em chamas
Seu corpo, sem nenhum lamento.


De sua psique que compôs,
Tudo que era vil em poesias,
Fazendo em prantos, corações de reis!
Era nominal e tinha maestria.
Vítima de estupenda e oculta arte,


Mesmo jazendo sobre dores de infarte,
Como em um raiar do sol,
Que iluminava a massa cinzenta,
Impregnando-se qual odor de formol
Do cadáver que nunca se decompôs.


O pacto


Nos mais antigos manuscritos,
Estava ali quando Lúcifer surgiu,
Descrito em ancestrais línguas,
O momento em que Ubel subiu,
Para fazer nascer o oculto.


O que meus olhos a ver se negaram,
O nascer de toda obscura arte
Até meus medos, sucumbiram.
Ao ler profano pergaminho,
Onde no mais austero leito da morte.


Provém o único caminho!
Era o ritual do antigo celta
O grandioso e oculto, mestre poeta.
Mas em tal pacto o mal havia,
Lúcifer dando sua dádiva, profano.


Tal pacto nunca morreria,
Nas mais longíquas gerações,
Tudo tornou-se vil e insano,
A decorrer de eternos anos,
Sendo torturado pelas criações!


A maldição


Podre, aquele tolo fora,
Fazendo conjurar o demônio,
Qual equações de polinômios,
Solucionado sem certa destreza,
Fazendo recitar toda as trevas.


Veio em forma de nobreza,
O que lúcifer convocou,
Fazendo corroer futuros poetas,
As palavras que a mente sussurra,
Todas donde as bestas urram.


Foram atraídos pela besta,
Que amaldiçoou fúnebre coração,
Extraindo a felicidade,
Deixando-os no choque de realidade,
Comovido com falsa ilusão.


Contos escritos por seus pseudônimos,
Eternizados de formas horrendas,
A beleza nas formas violentas,
Deixadas nos mortos ventos
Pelos amaldiçoados, anônimos!


Anormal


Era anormal o modo que usava,
Das lamúrias e mágoas,
Entoavam o que havia de airoso,
Suavizando até as brutais chagas,
Que vulgo "Cronos", deixava.


Eram de vidas e corpos obscuros,
Com seus gostos primitivos,
Onde todos viam o complexo,
O normal, nunca perceberia nexo.
A beleza da morte, nos seres vivos.


Notavam a beleza no escuro,
E o frio assombroso da morte,
Nada mais era que a sorte,
Seres que viram a rosa negra,
Na perfeita performance, Grega.


Onde ouviram os gritos infernais,
Soneteavam sobre os abissais,
As grutas que a morte espreitava
Era a forma, em que o mal morava.
Poetas ungidos ou insanos?


Nas trevas longas e infinitas,
Observaram-se jazendo em ruinas,
Sensações a eles implícitas,
Toda aquela dor era desumana,
Ao carregar o fardo dos humanos.


Eterno


Revelando-me foi o cruel porte,
A maldição era colossal,
Em labaredas qual fogo infernal,
Vendo-se esvair tudo em um corte,
Observei que não era um sonho.


Vi que todo aquele mal,
Aos pobres fora medonho,
Não sabiam o que tanto amavam,
Era cruel, vulgar e anormal.
Somente no choro do luar, nascia.


Nós todos em noturno leito,
Ao mundo que se faz em penúria,
Do pouco que compreende tal injuria,
Morrendo em seu negro peito,
E os tantos que jaz nessa terra.


Eu vos deixo a marca obscura,
Composta em melancólica partitura,
Tão nobre e astuto porém tolo,
Ao convocar a maldição da poesia,
Porém trouxe a mórbida alegria.


Vivemos de espetacular maldição,
Com as dores mudanas,
Escrevemos de formas profanas,
As verdades dum coração,
Que morre pela extrema inspiração.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Espectral Nascimento

Espectral nascimento


Defronte do seu inevitável velório,
O cintilante brilho a ofuscar os olhos
A lamúria no semblante do filho
Notava-se, nada era ilusório.


Tantas almas num místico, espectral
Valsar, para do corpo se dissipar,
Era nobre e belo o ritual a iniciar.
Sendo concebido o segredo ancestral.


Pois céu e inferno eram vis,
Querendo engolir-me qual serpentes,
Outro escravizar corpo e mente,
Bastardos, era tolos e infantis.


E o que aguarda do eterno descanso,
Já não era, perturbado por lamentos,
Por ter deixado dores e sofrimentos,
Os sentimentos tardios sem remanso.

Histórias Eternas

Histórias eternas


Contemplando a loucura estelar,
Observei a imensidão do céu,
Tudo era negro, coberto por véu,
E notei o perfeito, valsar.


As lendas que ali jaziam,
Na mais perfeita história primordial,
Onde tudo era puro e jovial,
E, seus semblantes sempre sorriam!


Absorvendo os conhecimentos antigos,
Desconhecidos qual morte,
Para todos procuram, vil porte!
Do saber infinito, eu mal digo.


Que no nascer do obscuro
Poucas palavra para as incertezas,
O céu que desmoronou, com tal nobreza
As palavras do amor mortas que perduro!

Noturno

Noturno


Percebi com certo ressentimento,
Que atraído era pelo obscuro,
Era airoso o que tanto procuro.
No útero de meu surgimento


Escrevendo o que as más-línguas,
No fúnebre ar, das trevas infernais.
Tanto diziam ao sussurrar: jamais.
Iludindo minha essência qual ninfas!


Compreendi que minha psique jazia,
No contemporâneo, o futuro era em vão,
Absorto em toda aquela horrenda alusão,
Somente o inane corpo, ali havia!


Assombrado no prematuro enterro,
Onde observei-me jazer eternamente,
Refletindo o que levou-me ao insanamente,
Fóbico ao perceber a alma em seu desterro.

Aos mortos por amor

Aos mortos por amor


Lembro-me de cada história trágica,
Algumas reais outras fantasiosas,
Percebi o amor em sua forma graciosa,
O fim que era a morte, porém mágica.


Eu que exprimi em palavras,
O que Romeu sentiu por Julieta
Para corromper a massa cinzenta,
Afogando-se em lamúrias macabras


Compreendia cada lágrima derramada
Nos pés da amada, no gole envenenado
O gosto do vinho, os motivos inválidos
E todo mal em forma sagrada.


Eu, na mais profunda loucura,
Percebi a grande epifania,
Ao notar a alma ali em inânia,
Que havia na extrema penumbra.


O cérebro em estado de ebulição,
Do despertar dum abissal coma,
Romeu a contar-me, ardeu em chamas
Expressando os sussurros do coração


-Eu, a você pobre poeta lhe trago!
O motivo que perturba-me, eternamente
Pedindo que escute atentamente.
O que meu coração disse, eu lhe digo:


-Porque viver nessa vida malévola?
Se não vivemos sem o amor dela,
Peço que fuja dessa realidade paralela,
Para não sofrer sobre a cripta frívola


-Era tão nobre, porém tão infeliz,
O que por ela, ele sentia
E tive pelo vulto grande simpatia,
Vendo que o pobre queria jazer feliz.


Logo notava seu semblante tomado,
Pelo vazio e tudo era amaro,
Notando que não fora tão sincero,
Observei que pesado fardo, era perdurado.


O choro que tomou-lhe qual criança,
Assustada pela morte dos pais,
Com medo de não vê-los nunca mais,
Pobre Romeu não tinha esperança.


Compreendi as razões vis e amargas,
Que no rosto do rapaz pulsava,
E no escuro lamentava,
A eternidade marcada por mágoas.

Monstro Bahugera

Monstro Bahugera


Nas entranhas da profunda caverna,
Ouvi a horrenda besta rugir,
Breve de lá eu tentei fugir,
Perseguiu-me por bares e tavernas


Até nos mais distantes sonhos,
Maldita queria consumir-me,
Até enferma alma queria destruir-me.
Perturbando-me com seus negros olhos,


No Alento de um fúnebre jazer,
Veio até mim revelar a forma grotesca,
Era vil, horrenda e gigantesca!
Somente seu aspecto fazia-me sofrer.


Eu, única alma que pude descrever
Cada sensação que rasgava o desespero,
Arrancando-me o fôlego e suspiro,
Até o momento que poderia, morrer!


Era vil e todo mal possuía
Cada angústia em seus tentáculos
O guardião das trevas, ser imaculado.
E tudo que era vivo perto dele morria!


Era velho até mesmo para os anjos,
Ser nominal e de malícia primordial
Nem a morte veria jazer ser desleal
E toda chaga era dispersa por seu manto.


Astuto e horrenda aquilo era,
Única palavra para descrever: medo,
Ser infame que medo desconhecido,
Controlava quando emergiu das trevas


Aos pés de tal fera pude jazer,
Porém tal nunca consegui descrever!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Qual?

Qual?


Eu, filho da vida e do carbono
Nascendo concebido, de ato físico
Possuo, mil compostos químicos
Que há no peito de vis humanos,


Sou o fruto da mãe natureza,
Refletida a força de gaia,
Como as verdades mais,
Ofuscado defronte de tanta incerteza!


Trapaceando o mundo com mentiras,
Notei no eco da funesta melodia,
Que entoaram da bíblia e suas profecias,
Qual grande babilônia que, ruíra.


Pergunto-me com mil questões,
Que sufoca-me garganta e pulmões,
Qual sentido da finita vida?
E as questões são no tempo esquecida?


Desde o nascimento de minha 'lma
Sonhadora e poeta, porém incrédula
Mas te todo fim dócil e malévola,
Aguardo o que mantem a cabeça calma,


Crendo que em qualquer instante
Venha jazer a vida finita!
Fazendo-me partir, sem a resposta
Pela qual eu vivo relutante!


No ápice da vida como "julgam"
Preocupa-me o intrépido futuro,
Espero não ter de partir prematuro,
Para todos que nos crucificam.


Nos contos que tanto digo da morte,
Acalma-me a ilusão do vil sentimento,
Qual inventor entretido com seus inventos,
Afastando-me de cruel e vil porte,
Pois receio a morte num golpe de má sorte.


Espero morrer velho com as certezas.
Que pergunto a mim desde de a infância,
Falando com pueril e tanta inocência,
Da dor e do amor com tamanha beleza.


No amplo e funesto seio que eu resido,
Agrilhoado no que eu chamo de vida,
Só saberei certas respostas na partida,
Enquanto sou destinado a vagar perdido,


Crendo que em qualquer momento,
Venha jazer a vida finita.
Fazendo-me partir. Sem a maldita,
Resposta pela qual vivo relutante!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Bahugera

Bahugera


Na penumbra onde vaga, ser estranho
Que possuí aspecto e nome indizível,
Procuro por uma resposta solúvel,
Para exprimir esse fato, enfadonho!


Sabendo o que ali vivia era vil e astuto,
Uma horrenda besta em forma de fera,
Que chamei pelo nome de Bahugera,
Para os deuses sua forma, era insulto!


Fugindo-me as palavras e a voz,
Para expressar o que a besta rugiu
Fazendo tudo no breve momento, ruir
Entalando-me o medo na garganta, em nó.


E como no despertar de um pesadelo
Eu morri, nas entranhas da caverna.
Feito bêbado desmaiado na taverna,
E embriagado passei a teme-lo.


Sentia seu corrosivo anélito,
Perfurar-me como a fria lâmina
Que fez jazer a carne desumana,
Transformando o vivo em morto.


Fugindo-me as palavras e a voz,
Compreendendo as razões do medo
E todo temor que era desconhecido,
O desespero da garganta entalada em nó!


-Eu que já era velho, no princípio.
E a terra foi um profundo abismo,
Não se tratava de grande eufemismo,
Eu já era velho quando nasceram os egípcios!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aeternus

Aeternus


Bestializado, com vil e airoso ritual,
Eternizado pelo azul estrelado,
Que oculta as réstia do passado,
Antes do próprio sepulcro primordial.


Aqui, onde sou descendente do nada!
Presencio, longínqua dor d' um enfarte,
Notável qual vermelho escarlate!
A fantasia do tolo pobre, encantada.


Eu, que entoo a beleza noturna,
E o que nela há de místico e oculto,
Qual morte, em seu seio fúnebre.


Na fantasia onde padecem os vultos,
Agrilhoados nas ilusões eternas,
Condenados na penumbra deste casebre!

domingo, 11 de dezembro de 2011

Cinzas


Cinzas


Aqui jaz a sombra do que era,
No dia que tudo era escuro,
E, eu era impuro como o barro
Que emergiu direto das trevas!


Toda fantasia que a mim foi vil,
Se corroeu como num epitáfio
Num sepulcro frívolo e pueril,
Por insanos que foram, sábios.


Aqui jaz a sombra do que era,
Enquanto adormecia nos portões,
Do sono, contornado por trevas
Ouvindo o timbre das canções.


No austero leito, onde jaz o corpo
Porém minha 'lma que voa livre,
Em incansáveis horas pelo orbe,
Aqui onde nunca repousa o tempo.


Eu, como a lendária ave, fênix
Que ressurgi de suas cinzas,
Sonho renascer da lava vulcânica,
E banhar minha essência no cálice


Aqui jaz a sombra do que era,
No dia que tudo era escuro,
E, eu era impuro como o barro
Que emergiu direto das trevas!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A pintura





A pintura


Mórbido e frio no fundo do quarto,
Estava ali o que jaz há tanto tempo,
Perturbado pelo indizível e vil minuto
Absorto no que há, o eterno luto!


Ofuscava-me a perfeita anatomia,
Estendendo-se pelos outros o funesto
Semblante, perdurando sob o corpo
Lágrimas escoavam e total inania.


O desespero sem fim da mãe pelo filho
Horrenda, a cena que foi-se eternizada.
Onde as réstias do vulto é mais nada.
Donde se repetem gritos de dor e o barulho.


Jazendo ali ser de extrema alvura,
Repousado sob o seio da mãe em prantos.
Com a inocência de criança e seu encanto,
A morte de cristo na perpétua pintura

Lycanthia




Lycanthia


Desnorteada, a alma que aqui jaz
No vasto mortuário e frio luar
E o molde tão cheio, refletido ao mar
Assistindo espectral dança, jamais!


Enegrecendo o corpo quente e a psique fria
Sucumbindo-se por extrema agonia e ira
Ao uivar aos céus, enquanto rogo pela cura
A enferma maldição, que ecoa-se em dias


Nesta fúnebre e eterna escuridão
Fitei a lua, que malfadou-me, a vagar
Oh! Maldita, aos longíquos anos a zombar
Enquanto desventura-me com vil ilusão


Simplória e doce a voz que recita a poesia
Enquanto gozo de total consciência
Pois sou vítima de ancestral magnificência
Que no oculto revela-me: Oh! Lycanthia!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Doravante

A noite não é fria, no entanto é longa,
Os sonhos que se perduram são eternos
Não pesa-me dizer: eu te amo, no inverno.
Pouco angustia-me as diversas rusgas!


Desabrochando feito flores primaveris,
Logo, desfazendo como dentes de leões
Cedendo sobras de suas tantas gerações
Transportando traços de vibrações, vis


Absorto no reflexo do seu sorriso cintilante,
Ríspida e benigna trama que acorrenta-me,
Qual louco nas garras, intrépido, destino!


Não avisto o que há de puro e cristalino,
Por hora a insensatez, persegue e corrói-me,
No austero e duro amor, que há doravante!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Córtex Cerebral


Córtex Cerebral

Cômodo sob esse, gramado morto
Folhas secas, sem o odor do orvalho.
Fito a funesta valsa cósmica, vultos
Esgueirando-se a sombra dos galhos,

Jaz os cadáveres, que aguardam a epifania
Verdadeira, agonizam, suplicando o destino
Seus corpos, não lhe dizem respeito, o divino!
A Psique, imersas em demasiada inania.

O concreto das réstias do pretérito.
Vem e vão num ciclo, -raios, inferno,
Brado por qualquer sentimento materno,
Enquanto rogo a ungido, pai e cristo!

Amaldiçoado, e o ciclo que cansa-me o espirito,
Aflito, com a voracidade que tudo se refez,
Onde reconheço, os estridentes gritos
No reflexo do lodo, do que nunca se desfez!