Entrances

quarta-feira, 28 de março de 2012

Epitáfio da fera (Bahugera parte 3)

Epitáfio da fera (Bahugera parte 3)

No raiar do céu obscuro, frio e vazio
Onde as decadentes estrelas celestiais,
Com seus exércitos de seres infernais,
Arquitetavam contra aquele senhorio.

Foi naqueles papiros egípcios,
Que resguardava torres de babel
Onde arcanjos encarceravam, ser cruel
Ali onde estava descrito fim e principio!

Absorto nos contos dos ancestrais,
Que bradaram contras as orlas espectrais,
Vindas das infindas terras universais
Reparei tais erros dos seres primordiais!

Os pergaminhos do temido horizonte,
Onde as decadentes estrelas celestiais
Com seus exércitos de seres infernais,
Emergiam aquele inferno defronte!

terça-feira, 27 de março de 2012

Realidade universal ( Bahugera Epitáfio) Parte 2

Realidade universal (Bahugera Epitáfio) Parte 2


O conto

Grandiosa e vis trevas, onde vi nascer a fera.
Transparece a eufórica visão da morte,
Qual vem desconhecida na má sorte
Oculta na escuridão por mitológicas eras.

Foi num eclipse solar, o dia com ar soturno,
Que absorto no abissal vortex espectral
Renascer o monstro do vazio infernal,
Donde os corpos vêm de diálogos taciturnos.

Foram tantas vis e longínquas trevas
Que observava do vortex sobrenatural,
Corvos sussurrando o medo desleal,
A fera ou morte esperava-me por eras.

Naquele inóspito e horrendo mundo,
Que transparece a euforia visão da morte
Qual vem desconhecida na má sorte,
Que fui jazer em um sono profundo!

O ritual

A venho mais uma vez descrever meu medo,
Aquela agonia desconhecida e humana
Que vem atormentar a mente vil e insana,
Aquele que me faz padecer jovem e cedo.

Trágicas histórias de ritualístico embalar,
Onde corpo e alma vão se separar
Misticismo, onde a psique vem sangrar,
Deus ou fera de mil olhos a ressuscitar.

Sons emanam daquele inferno secular,
Trazendo consigo urros vis e imaculados,
Psique e corpo de um ser deformado
Verdades impossíveis vêm agora especular.

Quem ousou? Renascer o deus do horror.
Despertar toda agonia desconhecida e humana,
Que diabos atormenta a mente fraca e insana,
Os sons do tambor, louvando aquele senhor!

Renascer

Profano e vil. Distante reina o purgatório.
Prisão destinada ao deus dos horrores,
Aprisionando ser de portes vis e superiores
Indizíveis portais de verdades e sacrifícios.

Trago tamanha e horrenda verdade,
Qual foge de todas supérfluas vaidades
Desmascarando até a tola vitalidade,
Trago-lhes sem piedade a realidade.

O despertar da imanente besta fera,
Donde os corpos e almas vão se separar,
Misticismo, onde a psique vem sangrar
Donde somos nada a não ser quimeras!

-Que mortal? Ousou enxergar o universo
Contemplando o nascimento celestial,
A maldita verdade do fogo negro infernal
Qual morta observou? A vida de ponto inverso?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Epitáfio da Fera

Epitáfio da Fera

Onde o astro rei não era presente,
O orbe envolto no vil e obscuro
Observei pelo véu do futuro,
Aquela besta fera, um "ser" imanente.

Nas entranhas das abissais cavernas,
Ouvia o rugir de uma enorme fera
Aquela que fez emergir as trevas
Consolidando em épocas eternas.

Naquele lugar que o sol não raiava,
Minha alma foi suave padecer
Esperando aquilo logo esquecer,
Os gritos que a mente não calava.

Foi naquela fria e escura terra,
Absorto no epitáfio da quimera
Aquela que travou por tantas eras
Entre a luz e trevas a eternas guerra!

A pequena criança

A pequena criança

Onde o colossal céu vem a minha mão,
Hesitei ao compreender um fato vil
O corpo de uma criança sobre o chão,
Notei o pequeno semblante tão gentil.

Lembro-me daquele dia frio e desafortunado
Onde vi um ser recoberto em sua escuridão,
Brilhar aquela luz de uma profunda compaixão
Observei dois rostos pálidos e desventurados.

Tudo lembro-me desde o meu nascimento,
Sentimentos e mágoas vilmente perduradas
Virando agora qual vasto oceano simples e nada.

Lembro-me bem daquele ato de sofrimento,
O corpo no chão, aquela criança que padeceu
Não sendo nada se não o próprio, eu!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ecoando ao nada

Ecoando ao nada

Ouvi o soar daquele sino a badalar
E percebi onde a morte era tudo e nada,
Fui cortejado pela ausência em sua morada,
Ouvindo palavras vis para me acalmar.

Lembro-me bem daquele frio infernal,
Aquele que a carne não se conforta
Mas o frio daquele sussurro espectral,
Aquilo que a muito poucos importa.

Senti a desgraça e o terror vil e trevoso,
Da presença de palavras tão fúnebres
Palavras ditas de forma polidas e ilustre,
Amenizando o semblante choroso.

Foi aquele triste badalar após as três,
Trazendo o mal presságio da morte
Suave e mansinho qual vil má sorte,
Veio de forma e efeito pouco cortês.

Eu que absorto nos próprios prantos,
E não compreendia o quanto vil fora
As palavras que jaz na eterna demora,
E agora viram supérfluos louvores e cantos.

Vi que as palavras em si não eram vis,
E a morte revestida em seu manto e negror
Não era nada se não meu próprio temor,
E eu percebi o horror da fatalidade sutil.

Lembro-me bem daquele frio infernal,
Aquele que vem nesse velório
Com o embalo de um sussurro espectral,
Entoar seus desejos pueris e simplórios!

terça-feira, 6 de março de 2012

Bahugera Parte V

Bahugera parte V

Embriago a mente quase inane,
Aquela moribunda em um profundo
Transe vil e inane sobre tais mundos
Histórias e contos ali são imanes.

Onde os ventos frios e áridos,
Contemplavam o bailar espiritual
Diante da verdade vil e ancestral,
Urgiu os ermos mundos indefinidos!

Pergunto-me o mito de bahugera
Donde raios surgiram a besta fera?
De onde ouvi rugir a brava quimera
Que emergiu em Cretas numa era.

Pergunto-me absorto no reflexo
O que seria ela? Algo complexo?
Seria o horrendo monstro ou deus?
Sendo a simples definição, eu?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Bahugera parte IV

Bahugera parte 4

Obscuras e vis eram as vagas memórias,
Aquelas que efervescem a massa cinzenta
Desabando a forma rude e corpulenta,
Donde só lembro-me de choro e miséria.

Expresso aquele aspecto horrendo,
Que vem das cruéis trevas infernais
Atormentar-me cedo em tramas universais,
Fazendo meu corpo vilmente se corroendo.

Vi novamente aquele deus ou fera,
Aquele em que enxergava o vil medo
Que provém de um desconhecido medo,
Aquele ser que perseguiu-me por eras.

Era cedo quando acordei com tamanho pavor,
Logo na rua eu ouvi a romaria e secos gritos
Aqueles que premeditavam o concreto e finito,
Trazendo consigo um leve e frívolo rumor.

Eu vi de tantas trevas surgir aquilo,
Donde surgiu? Do negro fogo infernal?
Um hórrido e mortífero animal,
E nada ouvia, somente um som tranquilo.

Deleitei-me ao ver os portões celestiais,
O corpo era agora frio e natural
Observei aquele horrendo animal,
Liberto em meus medos infernais!

Em sua ausência

Em sua ausência

Na noite que fui cedo deitar-me,
Com as belas estrelas noturnas
As memórias de tudo, soturnas
A brisa tão leve a embalar-me.

Eu naquele eclipse noturnal,
Da lua negra que fugia da mão
Todas as palavras ditas em vão,
A um vulto de forma espectral.

Pranteei ao tão vasto céu,
As palavras tão abomináveis,
As dores das almas incomensuráveis
E suas réstia em um mausoléu.

Eu em sua ausência venho escrever,
E aqui espero que possa ouvir
As palavras que não puderam sair,
Quando em seu leito foi padecer.

Eu com naquela agonia que perduro,
Nas infinitas noites de céu escuro,
Vejo a finita vida e o intrépido futuro
Que jaz como um feto prematuro.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A carta - Inane Verba

A carta - Inane verba

Escrevo a carta qual nunca será entregue,
Palavras que sufocam os pulmões e a garganta
Trazem consigo a calmaria da virgem e santa,
Expresso o amor e a dor em grande destaque.

Palavras mal ditas e do peito recunciadas,
Agrilhoadas em pensamentos e escravos,
Dores sofridas e vidas perdidas pelo ego bravo
O semblante que jaz com chagas amarguradas.

Venho expressar aquele inane e vil dor,
Que pulsa em meu seio nessa carta
Aquela que escrita numa nublada quarta,
Eu vim expressar-me qual sonhador.

Eu num deslize do espaço temporal
Absorto nas palavras jamais escritas,
Tantas cousas aqui nunca foram ditas
Expressando tão belo amor jovial!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Conversa com a viúva Conversa com a viúva




Conversa com a viúva


Onde oculta-se as memórias feridas
No abissal e profundo córtex cerebral
Eu senti o nascer do veneno celestial,
Corrosivo qual própria morte revestida.

Foi com aquele leve liquido venenoso,
Que corrompeu o corpo vigoroso

Descrevo devagar aquele pequeno ser,
De forma e aspecto vil e singular
As dúvidas sobre a morte veio especular,
Resposta que a psique não soube esclarecer.

Lembro-me do ser que possuía nome
E emergia do vago fogo das trevas: a fome.

Esclareceu-me as dúvidas tão complexas
Que possuía sobre os encantos universais,
Que nenhum livro usou palavras iguais,
Descrevendo a vida de forma tão cética.

Reflito absorto naquele anseio,
As respostas que negativamente receio,

Lembro-me nesse leito que os abutres rodavam,
Aquele pequeno e vil ser com um aspecto obscuro
Que foi suave e delicado revelando-me o futuro,
Poetizando a vida finita e as dúvidas que cercam.

Foi aquele leve liquido venenoso,
Que corrompeu o sentimento penoso,

Eu que lembro-me do meu funesto olhar,
O imanente e vil dançar de contexto espiritual,
Vi sobre aquele pequeno mar do leito primordial
O tão belo e funesto reflexo do luar!

Lembro-me do ser que era a viúva das trevas
Aquela pequena solitária por tantas eras.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Hades

Hades

No demasiado longínquo portal,
Eu vi o semblante feito de Hades
O semblante sem dó ou piedade,
Eu vi o descrito vortex dimensional.

No mais obscuro penhasco abissal,
Observei as três irmãs parcas
Absortas em linhas e suas marcas,
O rápido deslize ao ventre espectral.

Nos alucinados sonhos que tive,
Enquanto moribundo contava horas,
Eu vi as trevas no seu vil negror

Naquele vil e distante declive,
Onde não raiava os brilho da aurora,
Eu fui jazer em tamanho horror.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

História

História

Führer I

Alma amargurada pelo próprio destino
Vê-se atado nas rédeas e limitações,
Desgraçado pelas próprias criações,
Um mimado menino com sede do divino.

Trouxe consigo a desgraça humana,
Demonstrando o ódio do sangue germano
Demasiando o almejo de seres puritanos,
Emergindo o caos e a desgraça mundana.

Trouxe consigo a segunda guerra mundial,
Descalabro com o amaro ódio universal
Ritualística combinação de forma anormal,
Jugou-se ser de uma raça primordial.

Fez brandear os fervorosos canhões,
Cintilar o céu da tão bela frança
Sacrificou até pobres crianças
Encantado com as alucinações.

Contemplou a aurora marca por um véu,
Aquele que lembra um triste velório
Concebeu naquela terra o triste funerário,
Desgraçou própria pátria almejando o céu!

Holocausto II

Ouviram longínquo aviões e soldados gritando,
Demônios em formas humanas bradando,
Canhões armados e almas subjugando
Holocausto de um povo morrendo e agonizando.

Humanos aprisionados qual um enorme apartheid,
Corpos amotinados " vermes" foram julgados,
Qual enorme fazendo com mil cabeças de gado
O mundo lamuriou com tamanha crueldade.

Hitler trouxe consigo sua vil sociedade,
Usuário de um jogo de tantos interesses
Buscou a riqueza para seus prazeres,
Entoou um um grito de falsa divindade.

Ouvi descalabro os gritos estridentes,
Pulsando do seio de seres agora espectrais,
Urrando tão leve sussurros e gemidos naturais
Gritando as suas dores impertinentes.

Sendo breve o relato de forma espectral,
Deixo as dores das almas que jazem,
Entoando tantas lágrimas que mal dizem
As dores causadas pelo deus patriarcal!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Mortas almas

Mortas almas

No escurecer do crepúsculo matinal,
O ar dançante das covas violadas
Mortas arvores com vozes surradas,
Os galhos de um bosque ancestral.

O bailar épico alucinantes dos vultos,
Sombras e pecados vidas desterradas
Chagas e réstias vis e desgraçadas,
Vem de almas sem esperança e indulto.

No contemplar da afeição mortuária,
Traz consigo um funesto prefácio
Das estridentes vozes agoniadas.

Aquela que no dia jaz solitária,
Sepultada sobre um estreito palácio
Esperando escurecer a alvorada!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Nirvana

Nirvana

O bailar épico das estrelas transcendentes,
Donde aquele da paz profunda permanece
Confinado na essência da alma que adormece,
Deus e o humano visto de forma congruentes.

Consciente do metafísico e mórbido luar,
Aquele que se faz vivo quando outro ser poente,
Na outrora em que a morte se faz nascente
Pensamentos frios e mortais logo a esmagar.

Metáforas em formas da vida filosófica,
Escurecem a cientifica forma da razão,
Mentira e verdade viram ambiguidade!

Pergaminho sagrados visto com obras históricas,
Cortejam a vil humanidade com a cega imensidão,
Fecundam a jovialidade com falsas publicidades.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Versos

Versos

Na noite em que eu adormecia
Com a cabeça recostada no veludo,
O meu corpo era pútrido e imundo,
Eu com ar fúnebre preenchia.

Palavras com sombras desiguais
Passado, presente e futuro anormais
Versos com suas forças descomunais.
Tomos de ciência e magias ancestrais!

Expressava aquele vil e negro orbe,
Desde quando era a esfera torpe,
Expressei o primeiro conto espectral
Dialogo que nenhum ousou sonhar igual.

No surgimento dos portais universais
Fora-me concedido versos e poesias,
Relatando toda horrenda e vil profecia.
Ocultas nas grandes hordas celestiais!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Adágio




Adágio

Descrevo o que ouvi e era belo,
A sinfonia que tocou-me a alma,
Transparecendo a face calma
O universo único em estado paralelo!

Sendo madrugada quando entoou
As cordas daquele violino,
Que fizeram ranhuras no destino,
Quando a última nota ele tocou.

Era assombroso o que expressava
Fazendo até a morte lamuriar,
O que fizera com tantos em injúria.
Enquanto no canto ela sussurrava

Entoou os acordes mais uma vez,
Os anjos e querubins em prantos
E na lira não havia desencantos.
Só semblantes mórbidos de palidez!


Recomendo a leitura com tal música já que ela inspirou-me.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Altar

Altar

Serena ela vem e bate tão leve,
É a brisa que fugiu do inferno,
Trouxe a melancolia do inverno,
Revelando a eternidade em breve.

Foi naquele distante altar,
Que fiz os meus votos eternos,
O amor que pulsava do interno,
Num paraíso rodeados de pomar,

Sonhos que tive em belos campos,
Antes mesmo de proclamar o final,
Senti o descalabro frio anormal,
Agrilhoando-me qual infernal grampo.

Onde vi tão airosa e bela vida,
Porém num golpe de má sorte
Tão intrépida fora ela, a morte!

Componho o que é funesto,
E naquele único momento,
Que fora o meu casamento,
Vi ser tão nobre sendo desonesto,

Foi naquele distante altar,
Que declarei o meu amor,
Como um tolo sonhador,
Num paraíso rodeado de pomar.

Eu que compus a própria dor,
Escrevi as minhas desventuras,
Um conto da nobre literatura,
Onde deixo lhe tão bela flor,

Vou adentro do próprio mortório,
E na partida da vida incógnita,
Deixo as palavras não ditas,
Na lápide de meu velório.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Não espero mais nada




Não espero mais nada

Escrevo nessa noite de luar minguado,
Em que o sol viu cedo ser poente,
Absorto na morte que já era nascente,
Eu, com olhar fúnebre e alucinado.

Vi com os próprios olhos que negaram-se,
Acreditar na imensidão do universo,
Sendo tudo metáfora de verso e inverso,
Estava cômodo com o que formava-se.

Nos prantos a língua se enrolava,
Contando as estrelas que brilhava,
Enquanto fúnebres palavras sussurrava

Eu ser moribundo de vida finita,
Não creio em histórias que contavam,
Espero o ser que usa vestes distintas!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bahugera Parte III

Bahugera Parte III

Nos mais distantes pesadelos,
Eu vi a fera renascer novamente,
A vida ali era fria e ausente,
A própria morte vil e sem zelo.

O ser que a minha alma assombra,
Num malévolo e espectral tormento,
Embalou meu corpo em lamento,
Suspirando do lado de minha sombra.

Urgiu no mais escuro portal,
Perseguindo-me em meu sepulcro,
Açoitando-me no meu múcron,
Limitando o eu sendo mortal.

Ser de terrificante aspecto,
Crucificou-me com seu anélito,
Degolando-me qual cabrito,
O seu sorriso havia um ar tétrico!

Levantou-se do abismo do tártaro,
Ser de insana e brutal misticidade,
Nasceu da mais profana fecundidade,
Tão temível quanto os antigos bárbaros.

Perseguindo-me além da vida,
Inescrupulosa era a besta fera,
Sendo meu tormento por eras,
Sendo o sacrifico a ela prometida!

Assombrou-me com seus tentáculos,
Que deparavam-me com as agonias,
Que descrevi em tantas poesias,
Como um fúnebre espetáculo.

Urgiu dos mais distantes portais,
A quimera de face e medo espectral,
Concretizava a profecia universal,
Tudo aquilo tornava-se versos reais.

Nos mais distantes pesadelos,
Eu vi a fera surgi do imaterial,
Sendo a vida vazia e essencial,
E a própria morte vil e sem zelo!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Abstrato

Abstrato

Descrevo a forma que vejo lúcida,
As figura por qual se esconde,
Pergunto-me tão calmo, por onde?
Anda a ofuscar a certeza, nítida?

Venho expressar essa razão,
O ser de meu nobre imaginário,
Vagou do abstrato para o lendário,
Revelando-a obscura imensidão.

No abismo conhecido "oculta arte".
Donde jaz os segredos da vida,
Também o da eterna partida,
Venho-lhe conceder minha parte.

Eu que sou um ser do sereno,
Do luar que a meu ver é mortuário,
Sendo poeta de tantos funerários,
Sou mero servo com ar ameno!

Os lamentos e as loucuras,
Do que oculta-se no obscuro,
Tendo sentimento suave e puro,
Carrasco da própria tortura.

Expresso o ser inimaginável,
Que vive no templo que é noturno,
Possuindo nomes tão soturnos,
Crucificando foi qual abominável!

Eu, mestre de minha elisão,
Sou aquém do agente destino,
Que entope as artérias dum coração,
Num ato que julgam qual divino.

Sou o poeta de vil porte,
Aquele que com o luar chora,
Que também para tal ser ora,
Para tudo esvair-se num corte.

Sendo o corpo sem o jazigo,
Fui adormecer no cósmico luar,
Com tantas estrelas eu fui sonhar,
Ao encontrar-me com ser antigo.

Alarde de minha morte

Alarde de minha morte

Eu que a muito já vivi
Escrevendo simples versos,
De lamentos tão dispersos,
Tão breve eu sei que morri.

Na vida em que nasci,
Fui de sábio a tolo,
Ao chorar pelo seu colo,
Para que eu possa sorrir!

Nada sou mas que a alma,
Que tem sede da poesia,
Na penumbra da maestria,
Com mórbida e eufórica calma.

Eu que no simples crepúsculo,
Que cobre a nossa existência,
Da vida que jaz em decadência
Adentro do ser que é minúsculo.

É de pobre e cruel porte,
A maldição que eu carrego,
Como as chagas do cego
Que chora a própria morte.

No alucinar da vida humana,
Fui de sábio a próprio tolo,
Ao chorar pelo seu colo,
No ebulir da massa insana!

A vida que já não é minha,
Anunciou sua própria hora,
Único o momento sendo, agora?
Onde se encontra sozinha.

Fui poeta dos sentimentos,
Para onde vou lágrimas não rolam,
Tantas dores não se desenrolam,
No austero seio do lamento.

Sendo ser de forma inane,
Já fui grandioso e culto,
A penumbra é um insulto,
Aos meus delírios de pane!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Apenas horas

Apenas horas

Num vai e vem eterno,
O ponteiro conta as horas,
A face dela aproxima-se agora,
Com um aconchego materno.

É incontável o tempo que aguardo,
Pois noto que já se passa das três.
Tudo que eu vivi já se refez,
Vem a mim de bom grado.

Eu, sob a sua pintura
Que cobre o hall central,
A observo com olhar natural,
No entoar de sua partitura.

No alento de seu manto,
O pão vem de seus contos,
Ao poetizar sob tais prantos,
É airoso total desencanto.

Vem adentro de meu ser,
Acalmar a minha psique,
Corromper o meu "dique"!
Até o momento de padecer.

Sendo incontável e indizível,
As histórias que se produzem,
Sobre a verdade incomensurável,
Que na mente introduzem.

E no fúnebre desdém,
Meu corpo que jaz frio,
E agora é só o vazio,
Possa chamar aquém?

De todo bom grado, eu peço
Que onde eu seja eterno,
A quietude não seja qual inverno,
A você clamo com apreço.

Que no jazer de meu corpo,
Agrilhoado no estado físico,
Onde nunca foi pacífico,
Eu não seja reciproco.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Eu Poeta

O Eu Poeta

Dos mais longíquos sonos,
Vivo na sombra do ambíguo,
A morte sendo ser iníquo,
E o destino sendo monótono

O eu lirico que viveu a tragédia,
Praguejando e lamuriando,
A si mesmo amaldiçoando,
Qual divina comédia!

O eu poeta frio que jaz,
Na penumbra de meus umbrais,
A forma espessa e espectral,
A singular dor de forma natural!

Nos dias de vida fantasiosa,
Em que sou a criança morta,
Abandonada em sua porta,
Sendo a morte assombrosa.

Eu, que no alucinar cósmico
Sofri com os meus sentimentos,
Desde meu fim ao nascimento,
Eu vi o encaixar do quadro lógico.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não era sóbrio

Não era sóbrio

Nas noites frias e brilhantes,
Em que o luar me fascinava,
O bailar das estrelas me encantava,
Aquela beleza era distante.

Com a psique cambaleando,
E as pálpebras escurecendo,
Percebi logo estaria morrendo,
E não estava alucinando!

Eu, com meu corpo imóvel
Entendia o que era o amor,
E a fúnebre lira da dor.
Que cobre o corpo qual véu!

Já não havia sobriedade,
Nas palavras que eu sussurrava,
Mas pulsavam do peito que viviam,
Ocultando-se sob as minhas verdades.

Com o corpo frio e pálido,
Eu, já não podia ver nada.
Meu peito em dores profundas,
Eu, poeta bêbado que jaz inválido

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mensageira da morte

Mensageira da morte


Fazia frio e era madrugada,
Quando ser tão desgraçado,
Ousou cruzar a alvorada,
Com o mal presságio, amaldiçoado.


Pousou sob o feixe da luz,
Trazendo consigo último aviso,
Vens! Conosco alma sem sorriso.
Vens aos braços que são meu!


Era assombroso o que ouvia,
Como o que ali, eu via.
Ser com sua medonha sombra,
Os meus medos assombram.


Congelei ao imaginar trevas infernais,
A dor e o sofrimento,
Sem alívio por um momento,
Disse a mim mesmo: jamais!


Na angústia e tamanho desgosto,
Espantei ser mortuário,
Que brotava do imaginário.
Onde via o meu rosto.


Dizendo deixa-me em paz,
Eu que espero o que é eterno,
Sendo temente a céu e inferno,
Vá e não volte nunca mais!


Fazia frio e era madrugada,
Quando ser tão desgraçado,
Ousou cruzar a alvorada,
Com seu mal presságio, amaldiçoado!


Pousou sobre meus trabalhos,
Assombrando-me pôs me a retalhos.
Enquanto tão quieto, falou:
Não fugirá de quem sou!


Enquanto adormeço em dezembro,
Com clareza eu me lembro
Quando ser de erudito porte,
Comunicou a minha morte!


Pois fazia frio e era madrugada,
Quando o servo mortuário,
Ousou cruzar a alvorada
Violando meu santuário, solitário.

Ao eterno silêncio da alma

Ao Eterno Silêncio da Alma


Onde o sol se via poente,
Eu já não era falante,
Febril em estado delirante,
De corpo e mente não era ciente,


Aquilo era a forma, descalabro!
Onde já não havia atitude,
Sufocava-me a quietude,
Tudo aparente era faces, macabro?


Compreendi a agonia do surdo,
Pois ali nada ouvia
Com a tranquilidade sofria.
Qual pobre, louco e mudo!


Eu que já não podia expressar,
O que queria, em palavras.
A serem ditas foram semi palavras
Mal conseguia, tudo desabafar.


Absorto em todo mal que causava,
A dor e as lágrimas descomunais
O medo de um nunca mais,
As minhas angústias, completava.


Eu que não suporto o silêncio,
Vivo em sua equação diária
Sem números ou pessoas imaginárias,
Trancafiado nas portas d'um hospício.


Onde a lua era nascente,
Eu já não era mais falante,
Febril em estado delirante,
De um corpo já não era remanescente.


Moribunda a alma,
Que em constantes prantos,
Via-se em mil desencantos
Com a absurda calma.


No raiar do sol ia a loucura,
Ao nascer da noite em calafrios,
Em sinistra amargura.


Onde sol e lua faleciam, 
Eu nunca fui ser falante.
Frio, mórbido e delirante!
Todos ao meu redor desfaleciam.

Subconsciente

Subconsciente


Onde vi raiar o inescrupuloso,
Alojado nas memórias,
Jazendo em mil inglórias,
De terror incomensurável.


Nada era real ou fantasioso,
Uma peça vil elaborada,
Com histórias, marcadas.
Porém tudo era grandioso.


No meu cérebro, permanecia
E no mais longíquo tempo,
Aquilo nunca adormeceria,
Nem mesmo com fortes ventos.


Maldito que permanece em mim,
Por longas noites e eternos dias,
Até mesmo nas poesias,
Aos futuros anos viveria sem fim.

Lobotomia

Lobotomia


Separa-me o corpo da mente,
Deixando-me qual fantasma,
Ao sugar de mim todo plasma
Cerebral, deixando-me demente.


Penetra no lobo frontal,
Retirando tudo que foi real,
Mutilando o que foi natural,
Corrompendo a massa cerebral.


Violando o que foi sagrado,
Sou a réstia do inane.
Pobre corpo sem fome,
Qual gado marcado.


Eu que já não possuo ego,
Desgraço-me com último desejo:
Vens até mim inane beijo.
Ofusca-me o mundo qual cego.

Imaginação

Imaginação


Venho a todos descrever,
O que há ocultado na psique,
No timbre de um clique,
A infinidade a ponto de nascer.


Rápida qual velocidade da luz,
O big bang, cerebral.
Escrito sobre ser espectral,
Pulsam de mim, feito pus.


Onde tudo era possível,
Na ebulição da massa cinzenta,
Urgiam almas vis e corpulentas.
Ditei o que era indizível.


O destino era previsível,
Notei que tudo era imortal,
Somente o tempo sendo mortal,
Já não sendo ser invisível,


Observei de perto o abismo,
Que é a lei a todos humanos,
O medo dos ingênuos insanos,
Nada era um simples fanatismo.

Fúnebre alusão

Fúnebre Alusão


O tempo que a muito abandonou,
A pobre alma que há no túmulo,
Trancafiada no cadáver nulo,
Vítima da vida que desmoronou.


O badalar e o frio vento,
Únicas lembranças realistas,
Relatadas pela alma pessimista
Que reside logo ao centro.


Não era a fértil imaginação,
Pois o que via ali lamuriando,
Pela vida arrancada de suas mãos.


Era a pobre e não simples alusão,
Praguejando pela vida passada
Ao leito do túmulo, jazia irada.